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Pastor evangélico é preso por homofobia e gera revolta: ‘Deus não criou gay’

O pastor pregava na igreja pentecostal Geração Jesus Cristo, no Rio de Janeiro. Ele foi preso no bairro de Santo Cristo, na zona portuária do Rio, durante a operação “Rófesh”, que significa liberdade em hebraico. A ação foi realizada para prender a liderança de um grupo radical conhecido por promover discursos de ódio contra o povo judeu, segundo a Polícia Federal.

Contra ele, foi cumprido um mandado de prisão preventiva e outro de busca e apreensão do aparelho celular. Os mandados foram expedidos pela 8ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro.

tupirani foi preso usando uma camiseta antivacinas
Imagem: Reprodução/TV Globo

Segundo as investigações da PF, Tupirani produziu e publicou diversos vídeos com ataques diretos aos judeus e membros de outras religiões. Ele também é conhecido por fazer pregações racistas, contra a vacina da covid-19 e contra o voto. Ele responderá pelos crimes de racismo, ameaça, incitação e apologia ao crime. Se for condenado, Tupirani poderá cumprir pena de até 26 anos de prisão.

No dia 12 de março do ano passado, Tupirani da Hora Lores foi alvo da operação “Shalom”, após pedir por um “massacre” de pessoas judias. Os agentes foram à sede da Igreja Pentecostal Geração Jesus Cristo, a qual ele é chefe, para cumprir um mandado de busca e apreensão. A PF quis ter acesso ao vídeo do culto. Na época, o pastor falou que os judeus “deveriam ser envergonhados como foram na 2ª Guerra Mundial”.

Ricardo Sidi, advogado criminalista da Confederação Israelita do Brasil (Conib) avalia que a prisão preventiva está corretamente decretada, “tendo em vista que o pastor reincide sistematicamente na prática de crimes há mais de dez anos e essa é uma hipótese clássica para prisão preventiva. Uma prisão corretamente decretada, bem fundamentada, único meio legal, nesse caso, para conter essa ânsia de praticar discriminação e incitar seus fiéis a também praticarem discriminação e se envolver em atos violentos”, completou Sidi.

Desafio à Polícia

Em vídeo, o homem disse “Manda o delegado vir aqui pedir a minha retratação. Ele não é homem para isso, eu sou vencedor do sistema, ninguém me detém”. A fala do criminoso ganhou repercussão em jornais de Israel e a Confederação Israelita do Brasil e a Federação Israelita do Estado do Rio enviaram uma notícia crime para a PF.

Em 2012, ele e outros membros da igreja também foram detidos por intolerância religiosa, comportamentos homofóbicos, xenófobos e racistas. Em agosto do ano passado, o pastor disse, em meio a salva de palmas e gritos de “aleluia” que “a igreja de Jesus Cristo não levanta placa de filho da p* negro nenhum, não levanta placa de filho da p* de político, não levanta placa de filho da p* de veado. A igreja de Jesus Cristo só levanta a sua própria placa, p**”, gritou Lores.