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Vítima do incêndio em BH tinha 23 anos e fazia tratamento contra o câncer

Otávio Jordany Melo Resende tinha 23 anos e lutava contra um câncer no sangue. Ele ficou 42 dias internado na Santa Casa de Misericórdia, em Belo Horizonte. Otávio está entre as vítimas do incêndio que aconteceu no hospital nesta segunda-feira, 27 de junho.

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“Não dá para acreditar. É surreal”, conta Júlia Moura, namorada de Otávio.

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Otávio Jordany é uma das vítimas do incêndio da Santa Casa — Foto: Redes sociais/Reprodução

Segundo ela, o fogo começou na sala 61 do Centro de Terapia Intensiva (CTI), no 10º andar. Otávio estava internado no quarto 63. Ele se recuperava de uma infecção pulmonar bacteriana que adquiriu após passar por um transplante autólogo, no qual as células-tronco do próprio paciente são retiradas e reinseridas.

“Ele estava estável dentro do quadro grave dele. Ele não podia ser transportado por causa do oxigênio, da ventilação mecânica. Mas aí, teve isso. O fogo não chegou no quarto, mas a fumaça chegou. E ele teve que sair de lá”, revelou Júlia.

Otávio não resistiu ao afastamento do CTI. Outras duas pessoas também morreram, segundo a Polícia Civil. A Santa Casa já confirmou duas mortes até a conclusão do laudo. Além de Otávio, foi identificado o corpo de Cezar Freitas de Jesus, 51 anos.

Júlia disse ainda que o corpo de Otávio demorou muito para ser encontrado. “Ele saiu sem a identificação. Levaram o corpo para o necrotério, depois voltaram para a enfermaria. Foi muita angústia durante a madrugada. Só o encontramos depois das 4 da manhã”.

O fogo começou por volta das 19h. De acordo com o Corpo de Bombeiros, a princípio, o incêndio foi causado por um vazamento de oxigênio ligado a uma falha de equipamento. O fogo causou correria e desespero no hospital.

A fumaça tomou conta de um corredor da unidade, e muitas pessoas quebraram janelas do prédio. Os pacientes foram levados para a rua em macas e cadeiras de rodas.

“No momento em que começa o incêndio, as pessoas ficam muito exaltadas. Algumas estavam aspirando fuligens e acabaram quebrando os vidros das janelas para permitir uma ventilação”, disse o tenente Pedro Aihara, porta-voz do Corpo de Bombeiros.

Havia 931 pacientes no hospital no momento do incêndio. Muitos deles tiveram que ser transferidos para outras unidades, como Hospital de Pronto-Socorro João XXIII e Hospital São Lucas.